O Ato Ecumênico por Vladimir Herzog foi minha primeira manifestação política. Calouro da Faculdade de Direito, minha memória é de uma tarde cinzenta caminhando pelo centro velho em direção à Catedral. Um enorme aparato repressivo cercava a região, mas o calouro, com a fé ingênua e forte de que só os calouros são capazes, só se deu conta disso pela narrativa histórica anos depois. Liquidada a esquerda armada com assassinatos, torturas e desaparecimentos, em 1974/1975 a ditadura investiu contra o PCB, que não pegara em armas e insistia na derrota política, não militar, da ditadura. Na ofensiva de 1974 parte do Comitê Central desapareceu: Célio Guedes, David Capistrano, Elson Costa, Hiram Pereira Lima, Itair José Veloso, Jayme Miranda de Amorim, Joo Massena de Melo, José Montenegro de Lima, Luiz Maranhão Filho, Nestor Veras, Orlando Bonfim e Walter Ribeiro. Em 1975 a investida contra o PCB visou jornalistas e intelectuais, culminando com a morte de Herzog. O texto "As Pedras Falarão", que postei ontem, é dedicado à memória de Vladimir Herzog, à memória desses heróis e à memória de todos que, lutando contra a ditadura, foram as vítimas dos crimes contra a humanidade que um Estado democrático não pode esquecer.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
NA CATEDRAL, EM OUTUBRO DE 1975
O Ato Ecumênico por Vladimir Herzog foi minha primeira manifestação política. Calouro da Faculdade de Direito, minha memória é de uma tarde cinzenta caminhando pelo centro velho em direção à Catedral. Um enorme aparato repressivo cercava a região, mas o calouro, com a fé ingênua e forte de que só os calouros são capazes, só se deu conta disso pela narrativa histórica anos depois. Liquidada a esquerda armada com assassinatos, torturas e desaparecimentos, em 1974/1975 a ditadura investiu contra o PCB, que não pegara em armas e insistia na derrota política, não militar, da ditadura. Na ofensiva de 1974 parte do Comitê Central desapareceu: Célio Guedes, David Capistrano, Elson Costa, Hiram Pereira Lima, Itair José Veloso, Jayme Miranda de Amorim, Joo Massena de Melo, José Montenegro de Lima, Luiz Maranhão Filho, Nestor Veras, Orlando Bonfim e Walter Ribeiro. Em 1975 a investida contra o PCB visou jornalistas e intelectuais, culminando com a morte de Herzog. O texto "As Pedras Falarão", que postei ontem, é dedicado à memória de Vladimir Herzog, à memória desses heróis e à memória de todos que, lutando contra a ditadura, foram as vítimas dos crimes contra a humanidade que um Estado democrático não pode esquecer.
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