Reinaldo
Azevedo postou em seu blog violento ataque à Associação Juízes para a
Democracia. O motivo foi a nota em que a entidade de juízes fez críticas à
conduta da reitoria da USP e das
autoridades nos recentes episódios
envolvendo aquela Universidade.
A nota da AJD também motivou materia da Veja. Ilustrada com uma foto da suástica nazista.
Inacreditável.
No texto de
Reinaldo Azevedo há dois aspectos que merecem atenção das pessoas razoáveis e
lúcidas do país.
O primeiro –
que foi também o mote da Veja - é a
desonesta manipulação de um conceito básico das democracias contemporâneas.
A nota da AJD
diz, em certa passagem, que a lei, seja em si mesma, seja na sua aplicação,
deve ser recusada se contrariar princípios constitucionais.
Acontece todos
os dias nas sociedades democráticas.
Nas decisões dos tribunais, juízes ou administradores públicos. Do ponto de vista dos cidadãos, relaciona-se
com o conceito de desobediência civil,
tal como praticado por Gandhi e Martin Luther King, filosoficamente consolidado,
ainda que de escassa repercussão prática. No conflito entre uma regra positiva e
a moralidade, prevalecem a moralidade e os princípios constitucionais.
Mas o colunista pinça a frase para dizer
que os juízes estão atacando o Estado de Direito e a idéia de supremacia da
lei. Os juízes da AJD fizeram rigorosamente o contrário. Defenderam o Estado de
Direito, a ordem constitucional e a
moralidade.
Isto se chama delinquência intelectual. Mostra a inacreditável
má-fé e desonestidade do colunista. Podia ser burrice, mas não parece ser o caso de se
atribuir burrice a Reinaldo Azevedo. É o porta-voz das trevas, simplesmente.
O segundo
aspecto. Após conduzir, maliciosamente, seus leitores à conclusão de que a AJD
é uma perigosa entidade subversiva que pretende destruir a democracia, nomina, um a um, os dirigentes da entidade.
Isto se
chama delinquência política. Que também
atende pelo nome de fascismo.
Neste momento o
colunista ingressou na infame galeria
em que figuram, entre outros, Joseph McCarthy e o jornalista Claudio
Marques.
McCarthy, como
os leitores devem lembrar, foi o senador
norte-americano responsável pela “caça às bruxas” nos anos 50, que perseguiu e
destruiu a vida de milhares de pessoas sob a acusação de esquerdismo, fazendo da delação instrumento de ação
política.
Claudio Marques
foi o jornalista que denunciou Vladimir Herzog como perigoso esquerdista
infiltrado na TV Cultura. Herzog foi preso após
a infame campanha movida por Claudio Marques, e o
fim do episódio todos conhecemos.
Reinaldo
Azevedo vem numa escalada de violência verbal.
Perdeu a noção de limites. Embriagado pelo sucesso de sua retórica ultradireitista
em certo segmento social, criou um círculo vicioso em que ele e seus leitores
alimentam-se reciprocamente de ódio. Sua linguagem incita o ódio dos leitores,
e o ódio dos leitores o incita a
tornar-se mais violento e permissivo.
Quem lê “A Chegada do III Reich”, do historiador ingles Richard Evans, identifica esse
mesmo mecanismo na República de Weimar. Figuras semelhantes a Reinaldo Azevedo
pululavam. O conceito clássico de
fascismo é o uso da violência como instrumento politico. Nenhuma violência
política se viabiliza sem uma etapa anterior anterior de ódio e violência verbal. Este o papel em que
Reinaldo Azevedo e Veja se comprazem. O
fascismo não surge por geração espontânea. Germina pouco a pouco com semeadores
desse tipo.
Conflitos politicos
resolvem-se, em uma democracia, por
procedimentos antecedidos por diálogos em que os sujeitos agem racionalmente e
submetem-se a tais procedimentos independentemente de seu resultado. Quem, como
a Veja ou Reinaldo Azevedo, aventura-se no caminho da infâmia e da torpeza recusa esse diálogo racional e recusa os mecanismos democráticos. Não se importa
mais com a política democrática, fazendo falsas
profissões de fé na democracia. Vislumbra apenas o ódio como meio de ação política. Se o ódio não for suficiente, vai recorrer a outro tipo de violência.
Contarei uma história real: na década de 60, Florestan Fernandes teve um desentendimento c/ Julio de Mesquita Filho, diretor do Jornal Estadão, primeiro veículo a lhe abrir às páginas. Motivo do desentendimento: Julio disse ao sociólogo: "Florestan, o seu nome estava na lista dos que seriam caçados, e eu o tirei." Florestan rebate: "E quem lhe deu esse direito? Como eu vou olhar para os meus colegas sabendo que fui poupado por causa de nossa amizade? E tem mais: se fosse o inverso, eu não lhe pouparia."
ResponderExcluirAssim como os membros da AJD não estão sendo poupados por aqueles que avolumam contra a efetivação da democracia, me julgo no dever de me incluir na lista macartista do Azevedo, mesmo não sendo juiz e nem com pretensão de sê-lo.
Pedro Henrique do Amaral apoia de forma ufanista a Associação Juízes Para a Democracia.
São muitos os bobos na corte desse Rei(naldo).
ResponderExcluirmuito bom! o RA é um trouxa, um babaca.
ResponderExcluirReinaldo Azevedo criticou a seguinte frase:
ResponderExcluir"Não é verdade que ninguém está acima da lei, como afirmam os legalistas e pseudodemocratas: estão, sim, acima da lei, todas as pessoas que vivem no cimo preponderante das normas e princípios constitucionais e que, por isso, rompendo com o estereótipo da alienação, e alimentados de esperança, insistem em colocar o seu ousio e a sua juventude a serviço da alteridade, da democracia e do império dos direitos fundamentais.”
É a prova que uma associação de juízes considera, literalmente, que há pessoas acima da lei. Tenham um pingo de vergonha na cara e honestidade, senhores!
Prezado Anônimo
ResponderExcluirEsta frase quer dizer que há uma hierarquia de normas. Se uma lei (ou sua aplicação) não está de acordo com os princípios constitucionais, não é válida: "ESTÃO, SIM, ACIMA DE LEI, TODAS AS PESSOAS QUE VIVEM NO CIMO PREPONDERANTE DAS NORMAS E PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS". Quer dizer: em caso de conflito entre lei e Constituição, prevalece a Constituição. Ela por seus princípios está acima da lei (NO CIMO). Isto é elementar numa democracia. Neste momento, tribunais e juízes em todo país estão fazendo isso. É cotidiano, arroz com feijão. Se Reinaldo Azevedo não sabe disso, é ignorante. Se sabe - e ele sabe - é desonesto. Quanto ao mais, antes de falar sobre "vergonha na cara", procure se informar um pouco.
Li a nota da AJD. Desculpe-me, mas pareceu apenas que tal associação estava tentando contemporizar o episódio da PM na USP. O que há de errado em deixar a PM realizar o seu papel? Não se trata de exercício da democracia cumprir-se um mandado de reintegração de posse? E eu, como um dos financiadores daquela instituição (imposto meu caro, muito imposto!) tenho que ver alguns fedelhos destruirem o patromônio público e passar a mão sobre a cabeça ? ... Quanto ao Reinaldo... Deixe o cara. Eu não odeio vc, não vou persegui-lo e tampouco vou contestar a legitimidade da AJD porque concordo com o ponto de vista dele. Não há nada de facista na opinião dele. Trata-se de opinião, apenas! (Emilson Fernandes)
ResponderExcluirE pela constituição, pessoas como as que estão no topo das reinvindicações dos invasores (porque as melhorias na usp são secundárias para manifestantes, eles querem é que se retirem processos contra certas pessoas)deviam era estar no xilindró: agresão contra quem tem opinião diferente, uso indevido do crusp e outros beneficios da usp (como alimentacoa subsidiada), por alunos há mais de 10 anos sem se formar e só fazendo politica, aluguel de espaço publico por sindicalistas, etc etc...
ResponderExcluirSanta ignorância! Uns cretinos que assistem filmes policiais acreditam que basta aprovar uma lei para que a multidão de carneiros tenha que obedecer. Não entendem nada de lei e na realidade, não entendem nada de nada. O direito de manifestação é uma das liberdades fundamentais da própria Constituição ridícula que este país tem e mesmo que não estivesse na constituição deveríamos fazer com que fosse respeitada por estes juízes e policiais que agem normalmente na mais completa ilegalidade e que representam um sistema desmoralizado e corrupto. A direita brasileira é o que sempre foi: o ápice da ignorância nacional. Os juízes pela democracia só falaram o óbvio. O problema é que, para muitos, o óbvio é um mistério.
ResponderExcluirVEJA
ResponderExcluirNão compre.
Se comprar, não leia.
Se ler, não acredite.
Se acreditar, relinche.
Quaquaquaquaquaqua! Invadir um prédio público, com reivindicações questionáveis (depois que a MAIORIA decidiu, por VOTAÇÃO, abandonar outro prédio público) está amparado pela Constituição ??????????????????????? JUÍZES dizem isso ?????????????????? E tem gente que os defende ????????????? Que mundo é esse, quero descer ....
ResponderExcluirVeja ? Ah, sim, lembro vagamente, foi uma revista importante no passado.
ResponderExcluirIgnorancia é da esquerda extremista que quer impor suas vontades a outros: maioria ou grande número de alunos foram contra a decisao dessas associações e foram agredidos por elas, sem o menir respeito à democracia. Nao está em questão uma lei ou supressão dela neste caso. Mas a esquerda acha um misterio ter pessoas que nao concordam com seus métodos e objetivos!
ResponderExcluirSem falar na pegadinha que tem nessa nota: ela fala que intereses da Consituicao (lei magna) estão acima das leis, porem apoiando atitude de grupos que feriram diversas garantias cotitucionais, como direito de ir e vir (colocaram barricadas nos predios da fflch).
Prezado anônimo
ResponderExcluirO objetivo deste post não é discutir a crise na USP. Isto é outra coisa. Aqui tratei da maniupalação que o jornalista fez da afirmação feita na nota da AJD de que a Constituiçao está acima da lei comum. Pelo que depreendi de seu comentário, o senhor entende bem esse princípio, mas sustenta que alguns alunos é que feriram direitos constitucionais. É sua opinião, e neste caso, ainda que não seja a minha, a discussão seria honesta. O que não se pode dizer daquele jornalista de má-fé
Nao entendi onde esta a ofensa em dar os nomes dos juizes quando no proprio site da associaçao estao listados todos os nomes e mesmo se nao tivesse, nao esta na hora de acabar com essa historia de preservar do publico aquilo que e publico? O texto que a associaçao fez foi infeliz nas palavras, apesar de feliz na ideia, apenas isso. O Sr. Reinaldo vive da critica, seja ela constritiva ou nao, porem devo concordar com ele que os argumentos daqueles que ele critica sao sempre muito fracos, pois se o Sr. Marcio soubesse utilizar o google iria ver que os nomes dos juizes estao no proprio site da associaçao, que no perfil dele consta o nome de sua mulher.
ResponderExcluirSe os nomes dos juízes estão site da entidade, por que Reinaldo Azevedo precisa enunciá-los? O argumento de RA volta-se contra ele mesmo. Ingenuidade de sua parte. É o contexto que importa. Dizer algo como "há inimigos da lei e eu vou enumerá-los um a um" não é gratuito. Não pode dizer depois "ah, mas os nomes já estavam lá". Reflita.
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