Há algum tempo descobri que o verdadeiro forjador do mundo contemporâneo foi Jean-Jacques Rousseau.
O
leitor pode pensar em qualquer tema relevante da modernidade e estará
falando de Rousseau. Eles estão tão incorporados à nossa cultura que
sequer conseguimos imaginar um mundo em que não existissem ou
identificar sua gênese em Rousseau.
Sociologia? Discurso sobre a
Desigualdade. Antropologia? Discurso sobre a Desigualdade. Linguística?
Discurso sobre a Desigualdade. Filosofia Política? Contrato Social.
Pedagogia? Emílio. Ecologia, as lutas sociais (a ideia de que a
sociedade é o mal e precisa ser transformada), representação política,
vontade geral, etc.
Hoje a coluna de Clóvis Rossi na Folha traz
uma frase de Daniel Innerarity, catedrático de Filosofia Política e
Social: “há um assalto generalizado contra a ideia da intermediação.
Está se instaurando uma visão segundo a qual a vontade geral é algo que
se pode construir sem instituições intermediárias”.
No Contrato
Social Rousseau diz que a vontade não se representa, é ela mesma ou não
é. Que o povo inglês pensa que é livre porque a cada 4 anos elege seus
representantes, mas volta a ser escravo nesse meio tempo (cito de
memória).
As redes sociais e a internet, dois séculos depois,
dão razão a Rousseau. A ideia de intermediação política pela via da
representação mostra-se mais e mais uma falácia. As pessoas se
organizam, vão às ruas, ignoram parlamentos, partidos, e postulam a
vontade geral.
Como dizia Rousseau.
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